terça-feira, 8 de maio de 2007

É foda... mas é verdade!


Chega a ser engraçado né? Me vi nessa situação esses dias atrás quando fui até Cambé em busca do meu celular que foi roubado. Ao ver o rapaz que, creio eu, era o portador do meu aparelho, comecei a tentar convencê-lo a me falar que o aparelho estava com ele para que me fosse revendido. O pior de tudo é que não teve jeito. Ele não assumiu saber do paradeiro do extraviado. Fico eu então agora com meu Nokia QG - Modelo Quebra Galho, sem saber se dou risada e assumo a situação crítica do país ou se choro um pouquinho e fecho os olhos por mais um tempo, ver se tudo não passa de um momento. Quem sabe um "dia de fúria" de várias pessoas, ao mesmo tempo, que não suportaram o stress da dificuldade para se ganhar um puto hoje em dia.

domingo, 6 de maio de 2007

Introdução ao estado de espírito estático inquietante

A insipiência do ócio não produtivo,
Maleficência de acasos já duvidosos
E o nó que nos transporta para o ínfimo de nós mesmos;

Colapso de certezas intuitivas
Se encarregam de lhe fartar de insegurança
E o eu passa a ser a maior dúvida de todas

Força é o que procuro em meio a tréguas dadas pelo álter.
O desespero já não me ataca e nem fica próximo de afligir
Mas o sistema auto protetor nos leva a uma inércia sem fim.

A inércia nos leva ao nada
E o nada nos leva a insipiência do ócio não produtivo
Tal ciclo nos faz devir uma saliência insólita em meio a engrenagem de movimentos e conceitos que denominamos por Terra.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Belas Palavras

SOLILÓQUIO DE UM VISIONÁRIO
(Augusto dos Anjos)

Para desvirginar o labirinto,
Do velho e metafísico Mistério,
Comi meus olhos crus no cemitério,
Numa antropofagia de faminto!

A digestão desse manjar funéreo,
Tornado sangue transformou-me o instinto,
De humanas impressões visuais que eu sinto,
Nas divinas visões do íncola etéreo!

Vestido de hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais...

Subi talvez às máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim,com a alma às escuras,
É necessário que inda eu suba mais!

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A UM AUSENTE
(Carlos Drummond de Andrade)

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora. Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste.

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ORAÇÃO DA SERENIDADE
(Autor Desconhecido)

Concedei-no Senhor!
A serenidade necessária,
Para aceitar as coisas,
Que não podemos modificar;

Coragem,
Para modificar aquelas que podemos,
Sabedoria,
Para distinguir umas das outras.

terça-feira, 1 de maio de 2007

És tu também um subversivo?

Este é um trecho de um artigo publicado na Folha de São Paulo, domingo, 22 de Janeiro de 1978. Ele faz parte de uma entrevista feita por Octávio Ribeiro com o escritor João Antonio no Rio de Janeiro. Suas palavras já têm quase 30 anos e permanecem atuais.

João Antônio - É que todo indivíduo - todo e qualquer indivíduo em qualquer nível neste País, seja ele branco, preto, amarelo, que for trabalhador, está perdido, porque aqui o que menos se valoriza é a força do trabalho. Aqui só ganham dinheiro com trabalho os intermediários, os exploradores, os especuladores, porque é do próprio sistema esse jogo.

Octávio - E, eu acho que eles vão achar isso altamente subversivo, não?

João Antônio - Não quero saber de subversão. Fique sabendo o seguinte, qualquer escritor é por definição um subversivo. Qualquer arte propõe uma nova ordem, então, ela é subversiva. E qualquer sociedade que não aceitar é uma sociedade cocoroca, porque uma sociedade tem que ser dinâmica, ela tem que ser transformada. Ela não pode ser um negócio estático. Todo e qualquer artista é nitidamente um subversivo porque ele propõe uma nova ordem. Essa é que é a realidade, está entendendo? Essa palavra subversão no Brasil está sendo usada sem a menor propriedade. Os idiotas que escrevem e que dizem isso não sabem o que estão falando, entende? Porque a subversão é uma necessidade, é uma necessidade. Não existe sociedade estática, entende? Toda sociedade estática leva à decadência. Exemplo, é o fascismo do Hitler, o fascismo do Mussolini, quer dizer, acharam que já tinham descoberto a realidade, a verdade definitiva das coisas, está entendendo?